terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Comunicado do GPS - Grupo Protecção Sicó

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Caros senhores:

Serve o presente para comunicar que no decorrer de uma visita ao Algar da Água (abrigo de morcegos de Importância Nacional, situado na Serra de Alvaiázere, concelho de Alvaiázere), inserida nas actividades regulares do Grupo de Trabalho de Quirópteros do GPS, foram detectadas duas cavidades cársicas em plena área de implantação do Parque Eólico de Alvaiázere (em construção). As referidas cavidades encontram-se situadas no desaterro realizado para implantação dos aerogeradores 6 e 7.
Ambas cavidades implantam-se numa linha de fractura N-S, estando aparentemente alinhadas e coincidentes com a mesma fractura.

CAVIDADES:
Algar AG6 (Foto AG6_01)
-> A cavidade tem um poço vertical de entrada de cerca de 7metros, na sua base (com uma largura média de 3metros) encontra-se um cone de blocos provenientes do tecto da fenda e resultado da abertura da cavidade por maquinaria pesada, Este cone de blocos poderá esconder um desenvolvimento vertical superior ao constatado. Na base do poço de entrada a cavidade desenvolve-se predominantemente para Sul em direcção a um antigo desabamento, o seu desenvolvimento horizontal ronda os 15 a 20metros (croqui de exploração em anexo), com possibilidade de continuação (necessita trabalho mais cuidado na zona do antigo desabamento para uma melhor avaliação desta hipótese).

Algar AG7 (Foto AG7_01)
->A cavidade encontra-se já parcialmente destruída devido aos trabalhos de escavação sendo visível no terreno um poço vertical (com entrada estreita) com 4 a 5m de profundidade. Realizando um pequeno teste de profundidade recorrendo a pedras lançadas do exterior, a profundidade aparenta ser de 15 a 20metros, que necessita de confirmação mediante alargamento da zona de entra e consequente descida da cavidade. De notar que existe forte probabilidade de existir uma cavidade de dimensões razoáveis dada a corrente de ar sentida na entrada desta.


NOTAS:
Existe um inquestionável valor cientifico na zona do AG7 (Foto AG7_02), a presença de crioclastos de granulometria variada (Foto AG7_03) que ocupam toda a parede E da escavação deste aerogerador. Estes poderão ser alvo de estudos futuros sobre a evolução quaternária da Serra de Alvaiázere e próprio Maciço Sicó-Alvaiázere, este facto foi prontamente comunicado ao Prof. Doutor Lúcio Cunha (professor universitário -Univ.Coimbra e membro da Comissão Cientifica da FPE - Federação Portuguesa de Espeleologia), que se mostrou desde logo interessado em visitar o local.

Alertamos para o facto de ser necessário alguma celeridade no processo pois corre-se sério risco que empresa responsável pela construção do parque eólico proceder ao entulhamento das referidas cavidades, perdendo-se assim informação preciosa para o estudo do carso profundo e circulação hídrica subterrânea da Serra de Alvaiázere.

O GPS encontra-se igualmente disponível para colaborar nos trabalhos espeleológicos e a fornecer informações que possui do concelho de Alvaiázere necessários para o estudo destas cavidades, dando assim seguimento ao seu plano de acção para a Serra de Alvaiázere. Lembramos que parte desta informação encontra-se publicada em formato poster, apresentado no Colóquio "Desenvolvimento sócio-económico promovido pelo Património Geológico e Geomorfológico nas Terras de Sicó - Alvaiázere 2007 e no 5ª Congresso Nacional de Espeleologia - FPE, Alcanena 2007.


Sem mais de momento e gratos pela atenção.
Saudações cavernícolas
Cláudia Neves
(Presidente do GPS)







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Este comunicado foi enviado para:
ICNB
PNSAC
CCDRC
Agência Portuguesa do Ambiente
Administração da Região Hidrográfica do Centro
Comissão Cientifica da Federação Portuguesa de Espeleologia
Federação Portuguesa de Espeleologia (Direcção)

1 comentário:

Helder disse...

Quero aqui deixar o meu agradecimento pelo trabalho que por vós è desenvolvido em prol da defesa do meio ambiente e da ciência. Trabalho esse que infelizmente não è compreendido por quem na realidade deveria estar na linha da frente dando-vos todo o apoio que uma tarefa desta natureza exige em meios técnicos e humanos.
Ao vosso dispôr,

Helder Ferreira