quarta-feira, 8 de outubro de 2008

E ai vão 11 anos

Pois é, já passam 11 anos da criação do GPS, foi no dia 1 de Agosto de 1997, que tudo foi oficializado com a assinatura da escritura na Vila de Ansião.


Mas na realidade tudo começou uns meses antes....


A aurora ...

O ano de 1996, foi um ano conturbado para a espeleologia em Pombal, o GAEP, Grupo de Arqueologia e Espeleologia de Pombal começara a desmoronar-se, e devido a vários conflitos no seu ceio, a maioria dos seus associados afastou-se.
No entanto, um pequeno grupo de jovens, estava determinado a não deixar morrer a espeleo em Pombal, e a continuar em perseguição das suas paixões, pela natureza, pela Serra de Sicó, e pelas grutas. E assim, os caminhos para a Serra, já não eram estranhos aos 10 fundadores.
No inicio de 1997, e com a ajuda do Cajó, foram feitas as primeiras reuniões, nas instalações, do então, PIJ, na Igreja do Cardal. Onde se juntaram a Cláudia Neves, a Cláudia Serrano, o Eduardo Mendes, o Gustavo Medeiros, o Humberto “Juce” Gameiro, o José “Zé Rabila” Almeida, o Miguel “Vidros” Oliveira, o Paulo “Maceta” Neves, o Sérgio “ Beato” Medeiros e a Vânia Lopes, para começar a delinear uma associação, que à altura ainda não tinha nome.
Ainda me lembro da votação, para a decisão do nome a adoptar, ao fim de várias eliminatórias, chegou-se à final. De uma lado a proposta GPS – Grupo Protecção Sicó, do outro GIESTA – Grupo de Investigação e Exploração Subterrânea. O resultado, claro, está à vista.


A primeira saída...

Parecia, logo à partida, este novo grupo de espeleo, estava fadado a feitos dignos de registo.
Numa tarde soalheira, já quase entrados na primavera, estava a Cláudia Neves, o Beato, Juce, eu e o Zé Rabila, a beber café, entediados de morte, e surge a ideia de ir para a Serra.
O Zé lá arranjou boleia, com o sr. da padaria, e arrancámos, na caixa de carga da carrinha da padaria da Machada, direitos a Vérigo, para ir visitar a entrada de uma velha conhecida da espeleo em Pombal, a Cova da Mina (no Vale Paio), onde jazia o Adamastor (manto estalagmitico, intransponível, que levou 30 anos, a ser “dobrado”, apenas em 2008 ele cedeu!).
Após vários minutos a fitar a boca da Cova da Mina, o pessoal começou a andar Vale Paio a baixo, “batendo mato”, na esperança de encontrar mais qualquer coisa. Uns metros adiante, ai estava o prémio, duas cavidades de reduzidas dimensões, na parede do “Canyon”.
O dia estava ganho, mas a história destas duas grutas, Carvalhiça I e II, ainda estava por escrever.

(Foto tirada aquando da 1ª tentativa de desobstrução do Adamastor na Cova da Mina, Cláudia Serrano, "Juce", "Beato" e "Zé Rabila")


O primeiro achado....

Fim de semana seguinte, junta-se o grupo, e rumam de novo ao local das recém descobertas. Na primeira, e num monte de terra onde um animal havia escavado a sua toca, começam a surgir cacos de um prato em cerâmica.
O melhor ainda estava para vir, na segunda gruta, e após remover alguns centímetros de terra da entrada (a primeira desobstrução do GPS), a gruta torna-se acessível.
Lá dentro, e para total espanto de todos, são encontrados uma lâmina de sílex verde, e o que parecia, à altura, a base de parte de uma copo em cerâmica. Este ultimo viria a ser mais tarde entregue ao departamento de arqueologia do IPT – Instituto Politécnico de Tomar, para limpeza, e foi então descoberta a real dimensão deste primeiro achado.
De facto era a base de parte de copo, mas na realidade não era feito do que parecia ao inicio. Ao invés de cerâmica, o copo havia sido feito a partir de uma estalagmite, durante o Período do Calcolitico.

(Foto tirada aquando da 1ª tentativa de desobstrução do Adamastor na Cova da Mina, Cláudia Serrano, "Juce", Gustavo e "Zé Rabila")


A Fundação...

Após vários meses de saídas para a serra, a bater terreno, a explorar novas grutas, e a visitar velhas conhecidas, a realizar trabalhos de desobstrução e a encontrar achados, era tempo de oficializar “a coisa”.
Por esta altura, os únicos fundos de que o grupo dispunha eram os que o pessoal punha do próprio bolso, para ir para aqui e para ali, para comprar uma pá, uma balde e um picareto, e pouco mais. A mesma situação se passava com todo o equipamento, um trazia mais um balde, outro mais uma pá, e outro ainda uma bússola.
Dai que para a oficialização, dois sócios tiveram de contrair um empréstimo ao grupo, no valor de 13 mil e tal escudos, a dividir pelos dois, para pagar a escritura assinada em Ansião.
E a partir desse momento sim, o GPS – Grupo Protecção Sicó, tinha oficialmente nascido, e estava pronto para enfrentar todos os desafios que se atravessassem no caminho, não fossem os fundadores, 10 jovens.


(Foto tirada aquando do 1º Aniversário do GPS, as caras da direita para a esquerda: Cláudia Serrano, "Paulo "Maceta", "Vidros", "Beato", Eduardo, Andreia, Vânia, João, Cláudia Neves)


Muita coisa ainda falta contar, muitas “estórias” ( como a do: “bem não estamos aqui fazer nada, vamos embora”, e muita história mais (como o dr. Eusébio uma vez disse após ler o historial do grupo: “que o vosso historial seja um dia um “catrapázio” de vários quilos”).
Ficam ainda muitas pessoas por mencionar, que ficaram para sempre no nosso coração e na nossa memória.
Mas também, isto foi apenas uma intenção de resenha, dos primeiros tempos de vida do GPS.

“Bicos e apertas” cavernícolas
Gustavo Medeiros

1 comentário:

nalga disse...

Parabéns pelo vosso espaço na Net, conto com voçês para a Fundação do "Grupo S.Bento", estamos a começar a dar os primeiros passos.

Um grande abraço

Membro suspenso